quarta-feira, 8 de maio de 2013

“Dois anos atrás, no meu apartamento.


— A nostalgia é um efeito colateral de quando se está morrendo, sabia? — quebrei o silêncio, me virando na cama para observá-lo melhor. — E se pararmos para pensar, é por esse motivo que vivemos de nostalgias. 
Ele me olhou confuso, pegando o esqueiro e um resto de cigarro do cinzeiro no criado mudo, o acendendo — Como assim? 
— Estamos mais próximos da morte a cada segundo. A cada vez que metemos oxigênio no nosso corpo. Da velhice. Quando nos damos conta, o hoje já virou ontem, o amanhã se tornou o hoje e o depois de amanhã, o dia seguinte. Maldito tempo — peguei o cigarro da boca dele e soltei um círculo de fumaça. — Maldita incerteza se vou ou não acordar amanhã. Se vou ou não chegar ao fim desse dia. 
As mãos deles me envolveram — Então vem aqui, Caroline, deixa essas paranoias e nostalgias pra lá e vamos aproveitar cada segundo que temos.

Agora, veja que ironia, aqui estou eu, deitada na minha cama (muito espaçosa), fumando um cigarro e morrendo sozinha de nostalgia.
De sua Caroline. 

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